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Olá.

Meu nome é Tarlis Belém, me formei em Design de Moda, mas sempre quis trabalhar mais pertinho das pessoas, por isso me especializei em Consultoria de Imagem e Estilo. E esta plataforma é para dividir um pouco do meu trabalho com vocês.

Análise de Coloração Pessoal poderia ser também chamada de Colorismo?!

Análise de Coloração Pessoal poderia ser também chamada de Colorismo?!

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“Colorismo não é sua capacidade de pegar o lápis de cor e sair pintando tudo de forma colorida” Tia Ma, e acrescento, colorismo também não deveria ser o termo para falar sobre o Método de Coloração Pessoal, seja expandido ou não.

Quando vi que alguns consultores de estilos estão usando o termo “colorismo” para falar sobre a análise de cores na consultoria de estilo, me veio um incômodo imenso, por isso achei pertinente trazer essa discussão para cá, vamos pensar e ampliar isso juntos?

Se dermos um google “colorismo moda” vamos achar várias matérias sobre seu uso para ilustrar a coloração pessoal, tirando o termo moda, vamos ter seu conceito real e que deve ser muito bem entendido para refletirmos sobre seu uso como uma das formas de abordar o método.

“O colorismo ou a pigmentocracia é a discriminação pela cor da pele e é muito comum em países que sofreram a colonização europeia e em países pós-escravocratas. De uma maneira simplificada, o termo quer dizer que, quanto mais pigmentada uma pessoa, mais exclusão e discriminação essa pessoa irá sofrer” por Aline Djokic, no Festival Marginal.

O termo colorismo foi usado pela primeira vez em 1982 por Alice Walker, escritora, em seu ensaio “If the Present Looks Like the Past, What Does the Future Look Like?”. E é um termo utilizado para trazer a atenção para os diferentes níveis de preconceito e marginalização sofridos pela população negra, que pode variar de acordo com o quão sua aparência traz traços afrodescendente – não se tratando apenas de tonalidade de pele, como também outras características físicas, como por exemplo, largura do nariz, grossura dos lábios e textura dos cabelos.

Tendo isso em mente, queria questionar o uso desse termo, principalmente no contexto em que vivemos, levando em conta que tivemos sim, uma política de embranquecimento em nosso país – ver a tese do embraquecimento de João Baptista de Lacerda, médico e antropólogo, que 1911 defendeu essa tese no Congresso Universal das Raças, em Londres.

Vejo moda como expressão cultural, não podemos nos fechar nos nossos conceitos, adotar títulos e ignorar os contextos que perpassam ao redor, sabe? Não podemos nos fechar no mundinho fashion! Acredito mesmo que quem tem usado “colorismo” como referência para análise de cores, não percebeu a dimensão do termo. Acredito que querem apenas se referir a técnica. Porém, devemos pensar ampliado, dialogar com outras áreas.

É um termo que já traz um conceito, com implicações políticas reais, densas e que precisamos refletir e lutar muito ainda sobre. Trago a questão, será que o uso desse termo na moda não acabaria por trazer uma má interpretação do termo ou até reacender a ideia de embraquecimento por detrás? Distorcer o método? Lembrando que a metodologia já possui outras nomenclaturas de referência, acredito que usar a o termo original “Coloração Pessoal”, “Análise de Coloração Pessoal”, “Método Sazonal Expandido” seja de grande importância pensando para além da moda.

Queria ampliar a discussão, falo do lugar de consultora de estilo, estudante eterna da moda como reflexo social e canal expressivo, mas não tenho resposta final para nada, quero poder ouvir todos lados, vamos juntos?

O autoconhecimento na busca do Estilo Pessoal

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Vejo cores em você!

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